Pé no chão
descalça
sinto a terra úmida
entrar na minha alma
Fecho os olhos
sinto o chuvisco leve
o vento frio
a manhã de outono
Me abraçam...
Estou viva!
Sinto a vida pulsando dentro
e fora de mim
...
Tiro toda a roupa
Estou diante de todos os olhos
Uns se chocam
outras aplaudem
Sou apenas um corpo nu
que sente
e sorri
que sente
e conta histórias
que sente
e tem fé
que sente
tudo e todos
terça-feira, 18 de junho de 2019
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Tempo de tesouras
Creio que esse é meu diário mais secreto. Me sinto como no filme IO, escrevendo para ninguém num espaço infinito de vazio e possibilidades, num mundo se despedaçando.
Entrar aqui é sempre o primeiro desafio, isso que torna esse lugar meio que um esconderijo. Gosto de vim aqui e me botar pra escorrer, como água de rio cheio, mas nem sempre lembro da senha... por isso um esconderijo.
Não sei se mais alguém entra aqui pra ler alguma coisa, mesmo sem querer, numa busca mal-sucedida no Google, que descobre, de repente, um diário empoeirado, num fundo de um armário.
Por sorte, hoje lembrei a senha. E estou aqui simplesmente contando algo pra não sei quem...
Mas eu não tenho o que falar, e mesmo assim sinto que devo colocar algo pra fora.
Talvez palavras que vem na boca e não são ditas.
Depois de uma certa idade, dizer coisas sinceras pode causa guerras.
Mas estou aqui, nesse outono de 2019, me sentindo quase que finalizada. No sentido de acabada (de acabamento) e desmaiada (porque o processo foi.... é... ...)
De repente o peso da ancestralidade começa a me cobrar deveres e/ou destinos... 30 anos... casar ou não casar? Filhos ou Eurotrip? Cachorro ou moto?
Sai do meu estado de poesia e devaneio pra o mundo real e cansativo. Agora sou a pessoa que reclama. Mas nem tanto... aprendi a jamais escolher a infelicidade. Isso não!
Mas essa vida de rotina, de contas, roupas, sapato, coisas úteis, coisas inúteis, a vida começou a sufocar de uma hora pra outra. Até a Lua Nova eu só estava com raiva da humanidade. Depois dela, fiquei bicho selvagem, instinto de caça, com fome, com sede de sangue e xeque-mate. Sinto que é tempo de acabar.. estancar uma hemorragia que há muito me consome a força... o passado acalenta, mas também prende. Sua força pode ser gigante... vai amarrando a gente pela insegurança, pelas memórias de algum momento que revira tudo por dentro....
to me sentindo ao avesso agora...
dentro do peito sinto raiva de toda e qualquer injustiça, e a minha energia é de aniquilar pra acabar com essa injustiça... "é tempo de colher e de podar"...
Quero fazer poesia, quero me encantar com os detalhes do amanhecer, quero conversar tomando fresca na porta.. quero olhar o céu e falar das estrelas, quero casar e quero fazer eurotrip com o boy, e voltar de barrigão pra parir em casa, e ter filho, moto e cachorro, e uma horta no quintal!
Quero florescer depois da poda, e colher as semeaduras de outras primaveras....
quarta-feira, 13 de junho de 2018
Añoranza
Sou vazio a espera de água
quebro máscaras de felicidade
já não é possível esconder
Não amo
Mas digo que sim
Me minto
me despisto
me ignoro
Tomo goles largos de lágrimas
que se dissolvem no silêncio do mundo
no meu
Não abro mais a porta
perdi a chave
Não sei onde me esqueci
mas sei que ainda vivo
Mesmo que tudo seja dor
jun. 2018
quebro máscaras de felicidade
já não é possível esconder
Não amo
Mas digo que sim
Me minto
me despisto
me ignoro
Tomo goles largos de lágrimas
que se dissolvem no silêncio do mundo
no meu
Não abro mais a porta
perdi a chave
Não sei onde me esqueci
mas sei que ainda vivo
Mesmo que tudo seja dor
jun. 2018
domingo, 13 de agosto de 2017
Sonâmbula
Quanto tempo temos que viver em estado de dormência existencial até acordarmos?
Dia desses, não sei ao certo qual, pensei sobre isso e lembrei desse blog. Há anos não publico nada, apesar das escritas ainda brotarem em mim.
Tenho deixado tudo bem escondido dos olhos do mundo nos meus cadernos...
Alguns escritos, mais secretos, continuam apenas impressos nas minhas profundezas aquáticas.
A memória, essa amiga tão furtiva nossa, sempre me deixa meio zonza de tantos pensamentos sobre tudo.
Às vezes só queria um descanso de pensar. Esvaziar tudo e me sentir em paz. Sabe, aquele coisa bem Yogananda mesmo. Mas não consigo. Minha mente é por demais delirante ainda, e viajo mesmo quando estou no nada.
São tantos porquês, pra quês, pra onde que temos que ir, que nem sempre isso conforta, mas sim desregula loucamente, surtando até o mais comum dos normais. Aceitem, todos surtamos de vez em quando. Ou menos quem já conseguiu se livrar dos desejos. Sábio recado esse, inclusive.
Mas, insistentemente, a memória bate à porta te lembrando de tudo aquilo que você tomou pra si como cobrança, seja sua mesmo ou dos outros. Ou no pior dos casos, quando as duas se confundem e te açoitam o lombo com cipó de pitanga.
A memória desperta. E daí a pergunta inicial vem que nem um meteoro em direção a você. E esse despertar traz consigo todos os pesos da memória que também dói. E é preciso ter muitas armas e ervas na capanga de viagem.
Hoje (dias depois de começar a escrever esse texto, que ficou salvo nos rascunhos rs) percebi que tenho andado às voltas com questões da memória, esse espectro que acompanha todas nós. Há dias venho juntando anotações sobre ela... palavras de gente sabida - mais do que eu - segundo os pressupostos acadêmicos.
Ela nos inquieta, faz com que busquemos olhar pra dentro de nós mesmo com mais força e precisão, quando estamos conscientemente acordadas diante da existência. Que deveras, há de ser sublime pra não apenas agregar o rigor científico dos dizeres que são muitos. Como disse Bachelard "para lá do pitoresco, os vínculos da alma humana e do mundo são fortes. Vive então em nós não uma memória de história, mas uma memória de cosmo". Sou a prova viva. Bachelard leu meus diários pra pensar nisso, sem dúvidas. Sem sabe se ele está agora se revirando ou não no túmulo, apenas digo que somos essa poeira cósmica de amores e rancores, vidas e vindas ou idas. Estamos todas cá dentro de nós, percorrendo o tempo-espaço do infinito. Os círculos que se cruzam e nunca têm fim.
A vida, eu diria, é feita de delírios e memórias e presente e esquecimentos e ressignificações.
Sem pretensões de ser um texto de autoajuda, trago apenas um olhar sobre Mnemósine e suas estruturas na prática do viver. .
Dia desses, não sei ao certo qual, pensei sobre isso e lembrei desse blog. Há anos não publico nada, apesar das escritas ainda brotarem em mim.
Tenho deixado tudo bem escondido dos olhos do mundo nos meus cadernos...
Alguns escritos, mais secretos, continuam apenas impressos nas minhas profundezas aquáticas.
A memória, essa amiga tão furtiva nossa, sempre me deixa meio zonza de tantos pensamentos sobre tudo.
Às vezes só queria um descanso de pensar. Esvaziar tudo e me sentir em paz. Sabe, aquele coisa bem Yogananda mesmo. Mas não consigo. Minha mente é por demais delirante ainda, e viajo mesmo quando estou no nada.
São tantos porquês, pra quês, pra onde que temos que ir, que nem sempre isso conforta, mas sim desregula loucamente, surtando até o mais comum dos normais. Aceitem, todos surtamos de vez em quando. Ou menos quem já conseguiu se livrar dos desejos. Sábio recado esse, inclusive.
Mas, insistentemente, a memória bate à porta te lembrando de tudo aquilo que você tomou pra si como cobrança, seja sua mesmo ou dos outros. Ou no pior dos casos, quando as duas se confundem e te açoitam o lombo com cipó de pitanga.
A memória desperta. E daí a pergunta inicial vem que nem um meteoro em direção a você. E esse despertar traz consigo todos os pesos da memória que também dói. E é preciso ter muitas armas e ervas na capanga de viagem.
Hoje (dias depois de começar a escrever esse texto, que ficou salvo nos rascunhos rs) percebi que tenho andado às voltas com questões da memória, esse espectro que acompanha todas nós. Há dias venho juntando anotações sobre ela... palavras de gente sabida - mais do que eu - segundo os pressupostos acadêmicos.
Ela nos inquieta, faz com que busquemos olhar pra dentro de nós mesmo com mais força e precisão, quando estamos conscientemente acordadas diante da existência. Que deveras, há de ser sublime pra não apenas agregar o rigor científico dos dizeres que são muitos. Como disse Bachelard "para lá do pitoresco, os vínculos da alma humana e do mundo são fortes. Vive então em nós não uma memória de história, mas uma memória de cosmo". Sou a prova viva. Bachelard leu meus diários pra pensar nisso, sem dúvidas. Sem sabe se ele está agora se revirando ou não no túmulo, apenas digo que somos essa poeira cósmica de amores e rancores, vidas e vindas ou idas. Estamos todas cá dentro de nós, percorrendo o tempo-espaço do infinito. Os círculos que se cruzam e nunca têm fim.
A vida, eu diria, é feita de delírios e memórias e presente e esquecimentos e ressignificações.
Sem pretensões de ser um texto de autoajuda, trago apenas um olhar sobre Mnemósine e suas estruturas na prática do viver. .
terça-feira, 16 de julho de 2013
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Quero Flores
Sou a água que escorre por entre teus dedos se quiseres me possuir
Desejo amarras de flores!
Os meninos passaram, os homens passam... as moças também...
Permaneço só
E o peito começa a gritar: QUERO FLORES!!
- Mas as flores têm espinhos!
- É do meu gosto o agridoce...
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Aqueles medos e prazeres
Que caos estamos submersos
Que prazer venenoso de querer voar
um ponto
uma ponta
um rastro
Que prazer venenoso de querer voar
um ponto
uma ponta
um rastro
uma mente sincopada
não sobrou nadaFotografia: Ingrid Barbosa
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